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	Comments on: The year of going out!	</title>
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	<description>Rantings of a Transgender Person</description>
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		<title>
		By: Sandra M. Lopes		</title>
		<link>https://feminina.eu/2012/02/23/the-year-of-going-out/#comment-1435</link>

		<dc:creator><![CDATA[Sandra M. Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Feb 2012 07:19:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[E, tal como a minha mulher previa, mesmo o actual patamar n&#227;o &#233; &#034;satisfat&#243;rio&#034;. Tenho como &#034;ideal&#034; a transi&#231;&#227;o para uma situa&#231;&#227;o em que possa ser a Sandra todos os dias, um sonho comum a tantas CDs. Algumas, na realidade, conseguem concretizar esse sonho: trabalham das 9 &#224;s 5, chegam a casa, d&#227;o um beijo &#224; mulher, e saltam para a casa de banho para se arranjarem (coisa que, pelas suas descri&#231;&#245;es, conseguem fazer em pouqu&#237;ssimo tempo &#8212; quem me dera ser assim!), e ficam &lt;em&gt;en femme&lt;/em&gt; o resto do dia, assim como todos os fins de semana e feriados. N&#227;o tencionam de todo &#034;transitar&#034;. O facto de poderem passar o tempo todo fora do emprego &lt;em&gt;en femme&lt;/em&gt; &#233; mais que suficiente! 
 
Em certa medida, eu supostamente sou sortuda: trabalho essencialmente a partir de casa e tenho poucos compromissos sociais, excepto a pr&#225;tica budista e os jantares com a minha sogra. Isso significa que, em teoria, se vivesse sozinha, podia estar &lt;em&gt;en femme&lt;/em&gt; o dia todo, coisa que muito provavelmente faria sem hesita&#231;&#227;o. Mas na realidade passo o dia todo a fazer recados &#224; minha mulher e a estar completamente sob seu controlo em todas as situa&#231;&#245;es &#8212; as horas de descanso s&#227;o cuidadosamente controladas por ela e restritas ao m&#237;nimo. &#201; por isso tamb&#233;m que muitas vezes n&#227;o tenho outro rem&#233;dio sen&#227;o ficar acordada at&#233; &#224;s tantas para ter umas horas s&#243; para mim, para escrever e ler um bocadinho sobre crossdressing e crossdressers... mas esse ritmo d&#225; cabo de mim. Mesmo quando finalmente consigo tirar um dia para uma sess&#227;o em que me posso vestir &#8212; sempre dif&#237;cil de combinar, j&#225; que preciso de ter a certeza absoluta que n&#227;o vou ser for&#231;ada a sa&#237;r &#8212; &#233; sempre um dia arrasador em termos de cansa&#231;o. Dantes, no in&#237;cio, era mesmo &#034;o dia do crossdressing&#034;: levantava-me de manh&#227;, arranjava-me, ficava o dia todo &lt;em&gt;en femme&lt;/em&gt;, e pronto, deitava-me a horas decentes. Mas agora isso j&#225; n&#227;o d&#225;. Tenho de passar a manh&#227; e parte da tarde a executar tarefas para a minha mulher, e com sorte, talvez a meio da tarde, antes do sol se p&#244;r, ainda me consiga arranjar... e depois de tanto esfor&#231;o, enfim, l&#225; fico acordada at&#233; muito tarde, e o corpo &#233; que paga no dia seguinte!! 
 
Claro que passo os dias a pensar nisto, nomeadamente, como &#034;quebrar&#034; este ciclo em que s&#243; me consigo vestir quando estou exausta, cortando nas horas de sono para poder divertir-me um bocadinho, o que tira imenso prazer a toda a situa&#231;&#227;o... e realmente &#233; verdade, em todos os bocadinhos de &#034;tempo livre&#034;, quando estou &#224; espera de alguma coisa, ou mesmo antes de dormir, estou a pensar em alguma coisa relacionada com o crossdressing...! 
 
N&#227;o fico muito surpreendida por seres assim tamb&#233;m; acho que todas n&#243;s somos. E &#233; bem verdade que somos n&#243;s que criamos as nossas pris&#245;es mentais! 
 
Fiquei muito satisfeita de saber que est&#225;s t&#227;o bem informada; se calhar devia &#034;desafiar-te&#034; a escreveres um blog :) Ou se preferires, teria imenso gosto em ter-te tamb&#233;m como &#034;guest blogger&#034; (talvez na sec&#231;&#227;o em portugu&#234;s, para a qual prometo escrever um novo artigo). 
 
&#034;Presen&#231;a di&#225;ria&#034; n&#227;o ser&#225;, que n&#227;o tenho assim tanto tempo livre para escrever :) De resto, como digo sempre, 90% do meu aspecto sai com &#225;gua e sab&#227;o, 9% &#233; um corpete, e o resto &#233; gra&#231;as ao sorriso :) 
 
Um grande beijinho. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>E, tal como a minha mulher previa, mesmo o actual patamar n&atilde;o &eacute; &quot;satisfat&oacute;rio&quot;. Tenho como &quot;ideal&quot; a transi&ccedil;&atilde;o para uma situa&ccedil;&atilde;o em que possa ser a Sandra todos os dias, um sonho comum a tantas CDs. Algumas, na realidade, conseguem concretizar esse sonho: trabalham das 9 &agrave;s 5, chegam a casa, d&atilde;o um beijo &agrave; mulher, e saltam para a casa de banho para se arranjarem (coisa que, pelas suas descri&ccedil;&otilde;es, conseguem fazer em pouqu&iacute;ssimo tempo &mdash; quem me dera ser assim!), e ficam <em>en femme</em> o resto do dia, assim como todos os fins de semana e feriados. N&atilde;o tencionam de todo &quot;transitar&quot;. O facto de poderem passar o tempo todo fora do emprego <em>en femme</em> &eacute; mais que suficiente! </p>
<p>Em certa medida, eu supostamente sou sortuda: trabalho essencialmente a partir de casa e tenho poucos compromissos sociais, excepto a pr&aacute;tica budista e os jantares com a minha sogra. Isso significa que, em teoria, se vivesse sozinha, podia estar <em>en femme</em> o dia todo, coisa que muito provavelmente faria sem hesita&ccedil;&atilde;o. Mas na realidade passo o dia todo a fazer recados &agrave; minha mulher e a estar completamente sob seu controlo em todas as situa&ccedil;&otilde;es &mdash; as horas de descanso s&atilde;o cuidadosamente controladas por ela e restritas ao m&iacute;nimo. &Eacute; por isso tamb&eacute;m que muitas vezes n&atilde;o tenho outro rem&eacute;dio sen&atilde;o ficar acordada at&eacute; &agrave;s tantas para ter umas horas s&oacute; para mim, para escrever e ler um bocadinho sobre crossdressing e crossdressers&#8230; mas esse ritmo d&aacute; cabo de mim. Mesmo quando finalmente consigo tirar um dia para uma sess&atilde;o em que me posso vestir &mdash; sempre dif&iacute;cil de combinar, j&aacute; que preciso de ter a certeza absoluta que n&atilde;o vou ser for&ccedil;ada a sa&iacute;r &mdash; &eacute; sempre um dia arrasador em termos de cansa&ccedil;o. Dantes, no in&iacute;cio, era mesmo &quot;o dia do crossdressing&quot;: levantava-me de manh&atilde;, arranjava-me, ficava o dia todo <em>en femme</em>, e pronto, deitava-me a horas decentes. Mas agora isso j&aacute; n&atilde;o d&aacute;. Tenho de passar a manh&atilde; e parte da tarde a executar tarefas para a minha mulher, e com sorte, talvez a meio da tarde, antes do sol se p&ocirc;r, ainda me consiga arranjar&#8230; e depois de tanto esfor&ccedil;o, enfim, l&aacute; fico acordada at&eacute; muito tarde, e o corpo &eacute; que paga no dia seguinte!! </p>
<p>Claro que passo os dias a pensar nisto, nomeadamente, como &quot;quebrar&quot; este ciclo em que s&oacute; me consigo vestir quando estou exausta, cortando nas horas de sono para poder divertir-me um bocadinho, o que tira imenso prazer a toda a situa&ccedil;&atilde;o&#8230; e realmente &eacute; verdade, em todos os bocadinhos de &quot;tempo livre&quot;, quando estou &agrave; espera de alguma coisa, ou mesmo antes de dormir, estou a pensar em alguma coisa relacionada com o crossdressing&#8230;! </p>
<p>N&atilde;o fico muito surpreendida por seres assim tamb&eacute;m; acho que todas n&oacute;s somos. E &eacute; bem verdade que somos n&oacute;s que criamos as nossas pris&otilde;es mentais! </p>
<p>Fiquei muito satisfeita de saber que est&aacute;s t&atilde;o bem informada; se calhar devia &quot;desafiar-te&quot; a escreveres um blog 🙂 Ou se preferires, teria imenso gosto em ter-te tamb&eacute;m como &quot;guest blogger&quot; (talvez na sec&ccedil;&atilde;o em portugu&ecirc;s, para a qual prometo escrever um novo artigo). </p>
<p>&quot;Presen&ccedil;a di&aacute;ria&quot; n&atilde;o ser&aacute;, que n&atilde;o tenho assim tanto tempo livre para escrever 🙂 De resto, como digo sempre, 90% do meu aspecto sai com &aacute;gua e sab&atilde;o, 9% &eacute; um corpete, e o resto &eacute; gra&ccedil;as ao sorriso 🙂 </p>
<p>Um grande beijinho. </p>
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		<title>
		By: Sandra M. Lopes		</title>
		<link>https://feminina.eu/2012/02/23/the-year-of-going-out/#comment-1434</link>

		<dc:creator><![CDATA[Sandra M. Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Feb 2012 07:18:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Com o tempo, claro, ambas mud&#225;mos. A minha mulher adoeceu (como expliquei no outro email) e adaptou um comportamento de controlo obsessivo total sobre todo o meu tempo e a minha pessoa, para a qual tem uma predisposi&#231;&#227;o gen&#233;tica &#8212; toda a sua fam&#237;lia &#233; assim. Teve sorte comigo, porque talvez o facto de ter sido abandonada por uma namorada anterior &#224; qual n&#227;o dedicava 100% do meu tempo (mas apenas 99%!) fez com que eu me submetesse completamente a isso. Ainda hoje me custa bater o p&#233; no ch&#227;o e dizer, &#034;desculpa l&#225;, mas hoje &#233; dia de me vestir!&#034; quando a minha mulher come&#231;a a desbobinar o longo rol de coisas que quer que eu fa&#231;a nesse dia. Dependendo de como ela se estiver a sentir nesse momento, geralmente n&#227;o h&#225; muita discuss&#227;o; pois h&#225; muitos anos que abandonei o &#034;conflito&#034;. &#201; mais f&#225;cil e mais pac&#237;fico, a bem da sa&#250;de da rela&#231;&#227;o, ignorar todas as coisas que me desagradam e manter-me contente e satisfeita com todas as coisas que me agradam &#8212; que s&#227;o bem mais! 
 
Claro que isso significa ter imensa paci&#234;ncia. Como digo sempre... levei sete anos a esperar para lhe contar que era crossdresser. Sete longos anos, em que s&#243; me podia vestir uma ou duas vezes por ano, geralmente &#224; pressa e em situa&#231;&#245;es desconfort&#225;veis &#8212; em quartos de hotel, j&#225; cheia de sono, ap&#243;s longos dias de trabalho em clientes, longe de casa. Mas depois de me revelar, foram sete anos at&#233; conseguir uma aprova&#231;&#227;o para poder sa&#237;r &#034;de vez em quando&#034;, mesmo assim com imensas retic&#234;ncias. Pelo que tenho lido na Internet, s&#227;o poucos os casos em que os maridos crossdressers t&#234;m tanta paci&#234;ncia &#8212; mas h&#225; muitos assim, especialmente entre os &#034;transsexuais tardios&#034;, que &#034;aguentam&#034; uns vinte anos at&#233; as crian&#231;as sairem de casa para finalmente come&#231;arem o seu processo de transi&#231;&#227;o. No nosso caso n&#227;o h&#225; crian&#231;as na rela&#231;&#227;o, mas a verdade &#233; que foram muitos e muitos anos... ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Com o tempo, claro, ambas mud&aacute;mos. A minha mulher adoeceu (como expliquei no outro email) e adaptou um comportamento de controlo obsessivo total sobre todo o meu tempo e a minha pessoa, para a qual tem uma predisposi&ccedil;&atilde;o gen&eacute;tica &mdash; toda a sua fam&iacute;lia &eacute; assim. Teve sorte comigo, porque talvez o facto de ter sido abandonada por uma namorada anterior &agrave; qual n&atilde;o dedicava 100% do meu tempo (mas apenas 99%!) fez com que eu me submetesse completamente a isso. Ainda hoje me custa bater o p&eacute; no ch&atilde;o e dizer, &quot;desculpa l&aacute;, mas hoje &eacute; dia de me vestir!&quot; quando a minha mulher come&ccedil;a a desbobinar o longo rol de coisas que quer que eu fa&ccedil;a nesse dia. Dependendo de como ela se estiver a sentir nesse momento, geralmente n&atilde;o h&aacute; muita discuss&atilde;o; pois h&aacute; muitos anos que abandonei o &quot;conflito&quot;. &Eacute; mais f&aacute;cil e mais pac&iacute;fico, a bem da sa&uacute;de da rela&ccedil;&atilde;o, ignorar todas as coisas que me desagradam e manter-me contente e satisfeita com todas as coisas que me agradam &mdash; que s&atilde;o bem mais! </p>
<p>Claro que isso significa ter imensa paci&ecirc;ncia. Como digo sempre&#8230; levei sete anos a esperar para lhe contar que era crossdresser. Sete longos anos, em que s&oacute; me podia vestir uma ou duas vezes por ano, geralmente &agrave; pressa e em situa&ccedil;&otilde;es desconfort&aacute;veis &mdash; em quartos de hotel, j&aacute; cheia de sono, ap&oacute;s longos dias de trabalho em clientes, longe de casa. Mas depois de me revelar, foram sete anos at&eacute; conseguir uma aprova&ccedil;&atilde;o para poder sa&iacute;r &quot;de vez em quando&quot;, mesmo assim com imensas retic&ecirc;ncias. Pelo que tenho lido na Internet, s&atilde;o poucos os casos em que os maridos crossdressers t&ecirc;m tanta paci&ecirc;ncia &mdash; mas h&aacute; muitos assim, especialmente entre os &quot;transsexuais tardios&quot;, que &quot;aguentam&quot; uns vinte anos at&eacute; as crian&ccedil;as sairem de casa para finalmente come&ccedil;arem o seu processo de transi&ccedil;&atilde;o. No nosso caso n&atilde;o h&aacute; crian&ccedil;as na rela&ccedil;&atilde;o, mas a verdade &eacute; que foram muitos e muitos anos&#8230; </p>
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		<title>
		By: Sandra M. Lopes		</title>
		<link>https://feminina.eu/2012/02/23/the-year-of-going-out/#comment-1433</link>

		<dc:creator><![CDATA[Sandra M. Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Feb 2012 07:18:32 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Mas a verdade &#233; que, independentemente do &#034;patamar&#034; em que estamos (e que depende de tanta coisa, muitas vezes n&#227;o de n&#243;s...), haver&#225; sempre insatisfa&#231;&#227;o &#8212; vamos sempre desejar mais e melhor, e a situa&#231;&#227;o em que nos encontramos parecer&#225; sempre &#034;saber a pouco&#034;. Queremos mais e mais, e de alguma forma, achamos que &#233; leg&#237;timo justificarmos esse desejo porque, no fundo, &#233; assim que somos e n&#227;o podemos mudar (e &#233; verdade que n&#227;o podemos mudar o que &lt;em&gt;sentimos&lt;/em&gt;; o que podemos &#233; mudar a forma como as nossas emo&#231;&#245;es nos transtornam a mente...). 
 
Por isso, olho para tr&#225;s no tempo, e que vejo eu? Quando comecei a praticar crossdressing, tinha a roupa e acess&#243;rios numa mala do carro e vivia com os meus pais. S&#243; podia ser a Sandra quando tirava umas curtas f&#233;rias sozinha. Para comprar roupa, usava um apartado no correio. Lavar a roupa era sempre complicad&#237;ssimo! Mas andava sempre frustrada por nunca me ser poss&#237;vel vestir-me quando queria, e sonhava ter capacidade financeira para poder viver sozinha... 
 
Depois, ao fim de muitos anos, l&#225; comprei uma casa. Nessa altura j&#225; namorava com a minha actual mulher, mas n&#227;o sabia se a rela&#231;&#227;o ia durar ou n&#227;o; j&#225; nessa altura achava que n&#227;o valia a pena colocar muitas expectativas em rela&#231;&#245;es duradouras. No entanto, pass&#225;vamos todos os dias juntos, e isso fazia com que n&#227;o havia tempo para o crosdressing; ela ia muitas vezes a minha casa, o que significava que a roupa &lt;em&gt;continuava&lt;/em&gt; na mala do carro... at&#233; passar a viver comigo, e no fundo eu fiquei na mesma: incapaz de me vestir na minha pr&#243;pria casa, tal como quando vivia em casa dos meus pais! S&#243; nas poucas f&#233;rias que fazia sozinha &#233; que me dava ao luxo de me vestir... mas com o tempo, claro, as f&#233;rias passaram a ser feitas sempre com ela, e o crossdressing reduziu-se ao ponto de ficar apenas para as raras vezes em que sa&#237;a por um dia ou dois em viagens de neg&#243;cio. Depois, no in&#237;cio de 2005, n&#227;o pude mais aguentar: era evidente que a nossa rela&#231;&#227;o ia ser duradoura, e, como tal, o crossdressing teria de fazer parte dela &#8212; custou-me muito colocar o crossdressing de um lado e a rela&#231;&#227;o do outro, mas teve mesmo de ser, para bem da minha sanidade mental. Felizmente as coisas correram bem: mantive a rela&#231;&#227;o, e o crossdressing passou a fazer parte da nossa vida, mesmo que a minha mulher n&#227;o seja entusi&#225;stica com a ideia, apenas tolerante, porque sabe que n&#227;o posso fazer nada para &#034;combater&#034; o desejo de crossdressing... ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mas a verdade &eacute; que, independentemente do &quot;patamar&quot; em que estamos (e que depende de tanta coisa, muitas vezes n&atilde;o de n&oacute;s&#8230;), haver&aacute; sempre insatisfa&ccedil;&atilde;o &mdash; vamos sempre desejar mais e melhor, e a situa&ccedil;&atilde;o em que nos encontramos parecer&aacute; sempre &quot;saber a pouco&quot;. Queremos mais e mais, e de alguma forma, achamos que &eacute; leg&iacute;timo justificarmos esse desejo porque, no fundo, &eacute; assim que somos e n&atilde;o podemos mudar (e &eacute; verdade que n&atilde;o podemos mudar o que <em>sentimos</em>; o que podemos &eacute; mudar a forma como as nossas emo&ccedil;&otilde;es nos transtornam a mente&#8230;). </p>
<p>Por isso, olho para tr&aacute;s no tempo, e que vejo eu? Quando comecei a praticar crossdressing, tinha a roupa e acess&oacute;rios numa mala do carro e vivia com os meus pais. S&oacute; podia ser a Sandra quando tirava umas curtas f&eacute;rias sozinha. Para comprar roupa, usava um apartado no correio. Lavar a roupa era sempre complicad&iacute;ssimo! Mas andava sempre frustrada por nunca me ser poss&iacute;vel vestir-me quando queria, e sonhava ter capacidade financeira para poder viver sozinha&#8230; </p>
<p>Depois, ao fim de muitos anos, l&aacute; comprei uma casa. Nessa altura j&aacute; namorava com a minha actual mulher, mas n&atilde;o sabia se a rela&ccedil;&atilde;o ia durar ou n&atilde;o; j&aacute; nessa altura achava que n&atilde;o valia a pena colocar muitas expectativas em rela&ccedil;&otilde;es duradouras. No entanto, pass&aacute;vamos todos os dias juntos, e isso fazia com que n&atilde;o havia tempo para o crosdressing; ela ia muitas vezes a minha casa, o que significava que a roupa <em>continuava</em> na mala do carro&#8230; at&eacute; passar a viver comigo, e no fundo eu fiquei na mesma: incapaz de me vestir na minha pr&oacute;pria casa, tal como quando vivia em casa dos meus pais! S&oacute; nas poucas f&eacute;rias que fazia sozinha &eacute; que me dava ao luxo de me vestir&#8230; mas com o tempo, claro, as f&eacute;rias passaram a ser feitas sempre com ela, e o crossdressing reduziu-se ao ponto de ficar apenas para as raras vezes em que sa&iacute;a por um dia ou dois em viagens de neg&oacute;cio. Depois, no in&iacute;cio de 2005, n&atilde;o pude mais aguentar: era evidente que a nossa rela&ccedil;&atilde;o ia ser duradoura, e, como tal, o crossdressing teria de fazer parte dela &mdash; custou-me muito colocar o crossdressing de um lado e a rela&ccedil;&atilde;o do outro, mas teve mesmo de ser, para bem da minha sanidade mental. Felizmente as coisas correram bem: mantive a rela&ccedil;&atilde;o, e o crossdressing passou a fazer parte da nossa vida, mesmo que a minha mulher n&atilde;o seja entusi&aacute;stica com a ideia, apenas tolerante, porque sabe que n&atilde;o posso fazer nada para &quot;combater&quot; o desejo de crossdressing&#8230; </p>
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		<title>
		By: Sandra M. Lopes		</title>
		<link>https://feminina.eu/2012/02/23/the-year-of-going-out/#comment-1432</link>

		<dc:creator><![CDATA[Sandra M. Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 24 Feb 2012 07:17:53 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[In reply to &lt;a href=&quot;https://feminina.eu/2012/02/23/the-year-of-going-out/#comment-1429&quot;&gt;Patrícia Coelho (crossdresser em Portugal)&lt;/a&gt;.

&#201;s um amor, Patr&#237;cia! :) Sim, sei que tenho a mania de escrever &lt;em&gt;muito&lt;/em&gt; e de forma chata hehe &#8212; mas pronto, este blog &#233; (tamb&#233;m) para isso mesmo. E tem uma vantagem, pelo menos para mim: quando releio um artigo, relembro-me depois de quantas CDs (e algumas transsexuais) que conhe&#231;o est&#227;o na realidade a passar por situa&#231;&#245;es bem piores do que eu. A maioria ainda luta consigo pr&#243;pria sobre se deve ou n&#227;o revelar-se &#224; fam&#237;lia. As que o fizeram encontraram por vezes tanta hostilidade ao seu estado que nem sabem mais o que fazer. Comparada com estes casos, eu sou incrivelmente sortuda! ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>In reply to <a href="https://feminina.eu/2012/02/23/the-year-of-going-out/#comment-1429">Patrícia Coelho (crossdresser em Portugal)</a>.</p>
<p>&Eacute;s um amor, Patr&iacute;cia! 🙂 Sim, sei que tenho a mania de escrever <em>muito</em> e de forma chata hehe &mdash; mas pronto, este blog &eacute; (tamb&eacute;m) para isso mesmo. E tem uma vantagem, pelo menos para mim: quando releio um artigo, relembro-me depois de quantas CDs (e algumas transsexuais) que conhe&ccedil;o est&atilde;o na realidade a passar por situa&ccedil;&otilde;es bem piores do que eu. A maioria ainda luta consigo pr&oacute;pria sobre se deve ou n&atilde;o revelar-se &agrave; fam&iacute;lia. As que o fizeram encontraram por vezes tanta hostilidade ao seu estado que nem sabem mais o que fazer. Comparada com estes casos, eu sou incrivelmente sortuda! </p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		By: Bobbie Jo		</title>
		<link>https://feminina.eu/2012/02/23/the-year-of-going-out/#comment-1430</link>

		<dc:creator><![CDATA[Bobbie Jo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Feb 2012 02:49:56 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://feminina.eu/?p=441#comment-1430</guid>

					<description><![CDATA[Hugs. ]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hugs. </p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
		<item>
		<title>
		By: Patrícia Coelho (crossdresser em Portugal)		</title>
		<link>https://feminina.eu/2012/02/23/the-year-of-going-out/#comment-1429</link>

		<dc:creator><![CDATA[Patrícia Coelho (crossdresser em Portugal)]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 23 Feb 2012 01:37:17 +0000</pubDate>
		<guid isPermaLink="false">https://feminina.eu/?p=441#comment-1429</guid>

					<description><![CDATA[Gosto de te ler e quanto mais te leio mais gosto de o fazer. Entendo-te quase na perfeição e acredita que sinto e arrepia-me a &quot;dor&quot; (?) que transmites. Já ouvi dizer que as tuas postagens são longas e &quot;enfadonhas&quot;. Quando sinto plenamente o que leio, vicio-me na leitura e sigo os passos de quem escreve sobre o que me interessa, ou simplesmente desabafa... Eu desabafo para mim própria e desabafo ao ler-te!!!!  
Desde que me comecei a &quot;vestir&quot; (desde Agosto passado), tenho a perfeita consciência que será impossível deixar de o fazer no futuro.  
Nós as CD&#039;s somos mesmo sensíveis e no teu caso (talvez como no meu também), não passas um segundo dos teus dias sem pensar na tua condição de CD. 
Eu AMO a Patrícia e mesmo durante a minha actividade profissional, raramente passam mais de 5 minutos em que não pense e imagine a minha imagem doce, jovial e feminina que tenho quando me transformo... Por vezes questiono CD&#039;s que conheço sobre o sentimento que têm durante o dia, e até agora, nenhuma me disse sentir o mesmo que eu... Estranho isso e duvido ser a única assim... 
É certo que este não é o local mais indicado para te deixar a/as mensagem/ns que desejo enviar-te mas, permite Sandra, que publicamente me exprima.  
Por vezes, mesmo sabendo que muitas CD&#039;s pensam como tu, como eu, ou como outras bastante convictas da sua condição, sinto-me sozinha.  
Passo horas no computador a assimilar informações sobre crossdressing, moda, acessórios e o que se passa pelo mundo. Não sou CD para estar atrás de um teclado só a ver fotos e correr &quot;redes sociais&quot;. Estou informada minimamente e muito mais do que muitas CD&#039;s chamadas &quot;experientes&quot;. 
Conforme já comentei num &quot;post&quot; teu, entendo e estou solidária com as tuas limitações. Não direi que tenho pena, apenas fico triste por saber que há pessoas que mesmo sendo livres, sente-se presas! 
Mais uma vez, só te posso enviar um beijo. E desta vez, saudoso. Saudoso por mais qualquer coisa que me dês para ler.... 
Admiro-te pela presença diária neste teu espaço, pela tua feminilidade e beleza.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Gosto de te ler e quanto mais te leio mais gosto de o fazer. Entendo-te quase na perfeição e acredita que sinto e arrepia-me a &#8220;dor&#8221; (?) que transmites. Já ouvi dizer que as tuas postagens são longas e &#8220;enfadonhas&#8221;. Quando sinto plenamente o que leio, vicio-me na leitura e sigo os passos de quem escreve sobre o que me interessa, ou simplesmente desabafa&#8230; Eu desabafo para mim própria e desabafo ao ler-te!!!! </p>
<p>Desde que me comecei a &#8220;vestir&#8221; (desde Agosto passado), tenho a perfeita consciência que será impossível deixar de o fazer no futuro. </p>
<p>Nós as CD&#8217;s somos mesmo sensíveis e no teu caso (talvez como no meu também), não passas um segundo dos teus dias sem pensar na tua condição de CD.</p>
<p>Eu AMO a Patrícia e mesmo durante a minha actividade profissional, raramente passam mais de 5 minutos em que não pense e imagine a minha imagem doce, jovial e feminina que tenho quando me transformo&#8230; Por vezes questiono CD&#8217;s que conheço sobre o sentimento que têm durante o dia, e até agora, nenhuma me disse sentir o mesmo que eu&#8230; Estranho isso e duvido ser a única assim&#8230;</p>
<p>É certo que este não é o local mais indicado para te deixar a/as mensagem/ns que desejo enviar-te mas, permite Sandra, que publicamente me exprima. </p>
<p>Por vezes, mesmo sabendo que muitas CD&#8217;s pensam como tu, como eu, ou como outras bastante convictas da sua condição, sinto-me sozinha. </p>
<p>Passo horas no computador a assimilar informações sobre crossdressing, moda, acessórios e o que se passa pelo mundo. Não sou CD para estar atrás de um teclado só a ver fotos e correr &#8220;redes sociais&#8221;. Estou informada minimamente e muito mais do que muitas CD&#8217;s chamadas &#8220;experientes&#8221;.</p>
<p>Conforme já comentei num &#8220;post&#8221; teu, entendo e estou solidária com as tuas limitações. Não direi que tenho pena, apenas fico triste por saber que há pessoas que mesmo sendo livres, sente-se presas!</p>
<p>Mais uma vez, só te posso enviar um beijo. E desta vez, saudoso. Saudoso por mais qualquer coisa que me dês para ler&#8230;.</p>
<p>Admiro-te pela presença diária neste teu espaço, pela tua feminilidade e beleza.</p>
]]></content:encoded>
		
			</item>
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