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	<title>casamento &#8211; Sandra M. Lopes</title>
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	<description>Devaneios de uma crossdresser</description>
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		<title>O meu casamento — uma opção, não uma imposição</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sandra M. Lopes]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Jul 2010 22:25:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Num outro site onde de vez em quando também participo, expliquei a alguém que se mostrou interessado em mim (vá lá saber-se porquê, acho que ele nem sabia que eu sou crossdresser) de que não ando aqui na &#8216;net para o engate, e que sou casada há 13 anos, e muito feliz. Retorquiu-me dando a [&#8230;]]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p>Num outro site onde de vez em quando também participo, expliquei a alguém que se mostrou interessado em mim (vá lá saber-se porquê, acho que ele nem sabia que eu sou crossdresser) de que não ando aqui na &#8216;net para o engate, e que sou casada há 13 anos, e muito feliz.</p>
<p>Retorquiu-me dando a entender que quem pensasse que o casamento não permitia as &#8220;escapadelas&#8221; e as &#8220;voltinhas&#8221; era uma pessoa &#8220;dogmática&#8221; e com &#8220;imobilismo de ideias&#8221;.</p>
<p>Eis o que lhe respondi:</p>
<p>Não há nenhum &#8220;imobilismo&#8221; nem &#8220;dogma&#8221; quando duas pessoas, de livre vontade, tomam um compromisso entre si. Haveria, sim, &#8220;imobilismo&#8221; e &#8220;dogma&#8221; se alguma delas fosse forçada a tomar esse compromisso, seja por pressão social, seja por religião, seja por outra relação qualquer. Mas quando o compromisso é tomado de livre vontade porque as duas pessoas assim o desejam tomar, não é nem &#8220;imobilismo&#8221;, nem &#8220;dogma&#8221;, mas uma expressão profunda de respeito mútuo, companheirismo, cumplicidade, e profunda confiança um no outro, que entram numa relação com um único propósito: fazer o outro feliz.</p>
<p>Não há aqui nenhuma &#8220;regra&#8221;, nem nada nos foi &#8220;imposto&#8221;, ou é algo em que &#8220;acreditemos&#8221;. É apenas o fruto de um compromisso mutuamente assumido. E no nosso caso, somos pessoas de palavra; não entrámos nesta relação &#8220;a brincar&#8221; ou &#8220;por impulso&#8221; (porque nos apeteceu no momento!). Aliás, nem sequer passámos por aquilo que seria mais vulgar neste país: cerimónias ocas de sentido numa igreja, despesas com roupa e comes e bebes, festarolas, e sabe-se lá que mais está na moda para &#8220;celebrar&#8221; um casamento, que é esquecido uns meses (ou anos) depois quando começam a surgir problemas. Não fizemos nada disso, porque para nós isso são meramente sinais externos que nada nos dizem&#8230;</p>
<p>No nosso caso (como ainda por cima não somos católicos, nem sequer cristãos, mas meramente budistas&#8230;), a noção de casamento só faz sentido para nós se estamos realmente dispostos a assumir esse compromisso. Não é fácil, nem esperamos que outras pessoas concordem connosco. Não julgamos nem criticamos ninguém que tenha outra ideia de casamento; cada qual com a sua (estamos ainda num país livre!). Mas também recuso a noção de que quando duas pessoas dão a palavra de honra uma à outra que estão a assumir um compromisso, isso é ser &#8220;dogmático&#8221;.</p>
<p>Bem sei que os valores de uma conduta ética andam muito por baixo neste país — basta olhar para as classes que nos dirigem e para as &#8220;estrelinhas&#8221; da TV e das revistas sociais. Mas os valores morais dos outros não nos preocupam, apenas nos causam uma imensa tristeza e uma profunda compaixão pelos que sofrem. Preocupa-nos, isso sim, que nós estejamos a levar a sério os compromissos que assumimos. Sejam estes, sejam quaisquer outros.</p>
<p>Mais uma vez: &#8220;dogma&#8221; é quando alguém nos impõe um comportamento por alguma argumentação qualquer. Um compromisso mutuamente assumido, baseado apenas no respeito mútuo e desejo de fazer o parceiro feliz — e mais nada que isso — não é nenhum &#8220;dogma&#8221;.</p>
<p>E não desejo que ninguém &#8220;aceite&#8221; isto, ou sequer que respeite. Ficarei satisfeita com um reconhecimento de que há ainda algumas pessoas neste planeta que levam os seus compromissos a sério (pela única razão que os assumiram de livre vontade). Mas se nem sequer tiver esse reconhecimento, não faz mal. Não é o reconhecimento que me faz feliz!</p>
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